Vesti o roupão de banho, caminhei até o quarto e com o roupeiro aberto, escolhi o de sempre, uma blusa gola v cinza, jeans preto e all-star vermelho. Passei rímel nos cílios embranquecidos, blush na pele pálida e batom rosado nos lábios sem cor.
Satisfeita, peguei os fones e fui para o pátio do quartel.
Sentei-me em um banco de madeira e deixei o som de wonderwall-Oasis me preencher.
Porém fui interrompida na melhor parte da música.
-Não sabia que aceitavam princesas aqui.
Olhei de onde vinha a voz, ao meu lado acompanhado de um gordinho estranho um magricelo ruivo sorria para mim. Péssima hora para ouvir música no volume baixo.
Sem virar para ele, ainda com meus fones e erguendo minha sobrancelha, que exibia uma cicatriz, eu falei.
-Eu não sabia que aceitavam palitos de fosforo.
O gordinho começou a rir, então tomada por um instinto maléfico, continuei.
-Muito menos rolhas de poço.
Eles me desferiram olhares furiosos.
-O que você disse boneca?
Perguntou o Ruivo.
-O que você ouviu.
Eu disse me levantando e tirando os fones, infelizmente.
-Está me desafiando?
-O que você acha ruivinho?
Ele tirou o casaco e entregou para o gordinho.
-Vai se arrepender!
-Típico estouradinho, vai bater em uma dama?
Fiz cara de deboche e ele sorriu.
-Só vou ensinar uma lição para você! A nunca retrucar um homem.
Naquele instante uma rodinha se formava sobre nós. Geralmente os outros superiores separavam as brigas antes de começarem a lutar, mas como me conheciam e o moleque devia estar dando trabalho, só olharam, junto com os novatos e intermediários.
Então como se tivesse tomado coragem, ele veio correndo para mim na tentativa de me acertar com um soco. O que aconteceu, sim, ele me acertou e eu deixei.
-Agora não me incomode mais mulher! Fraca!
O gordinho parecia surpreso com o amigo, e a plateia gritava para que eu reagisse. No meio do pessoal um superior trocou olhares comigo, e pelo o que percebi estava pronto para interferir, e eu? Apenas balancei a cabeça em sinal negativo.
O babaca ruivo estava entre sorrisos e glória, então eu aproveitei, fui cuidadosamente atrás dele, o amiguinho dele me viu e piscou, ficaria quieto. Peguei-o pelo pescoço e o derrubei, o imobilizei e sorri ao falar.
-Que é o fraco aqui?
Ele pareceu espantado e não disse uma palavra, tomada pelo sabor da vingança, eu tive que faze-lo dormir. Desmaiado, ele foi levado para a emergência do quartel.
A rodinha se dispersou e eu voltei para o quarto, queria evitar perguntas.
Tomei uma segunda ducha, mais quente que eu consegui, aquilo me acalmava, o calor era confortável. Estava enxaguando o cabelo quando ouço batidas na porta. Vesti o roupão e fui ver quem era, para minha surpresa, era o superior que tinha me “oferecido” ajuda.
-Oi, desculpe, devo estar atrapalhando.
-Bom, sim e não, depende do que veio fazer aqui.
Ele sorriu.
-Vim ver como você estava...Superiora?
Entendi que ele não fazia ideia de qual era meu nome.
-1ª Superiora Harley, e você, superior?
Ele fez reverencia.
-Ah não...- Eu mexia os braços em sinal negativo e de vergonha-Não faça isso.
Ele sorriu e falou.
-Sou Dylan, 125º Superior.
Eu sorri.
-Então já sabe como estou, pode me dar licença?

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